Abordagem Psicologia Feminista e Interseccional: O que é e como funciona?

Saiba tudo sobre a abordagem Psicologia Feminista e Interseccional na psicologia e seus benefícios para a terapia.

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A Psicologia Social e o Feminismo Interseccional constituem uma abordagem psicoterapêutica de base crítica, voltada à compreensão de como as estruturas sociais, históricas e políticas moldam a subjetividade e o sofrimento psíquico. Diferente de modelos que isolam o indivíduo de seu contexto, esta perspectiva investiga a forma como a pessoa existe e se relaciona com o mundo a partir de marcadores sociais — como gênero, raça, classe e sexualidade — que atravessam sua história antes de qualquer rótulo diagnóstico.

Fundamentação e relação com DSM-5 e OMS

Nos parâmetros técnicos atuais, o DSM-5 e a CID-11 (OMS) seguem sendo as principais referências classificatórias para nomear transtornos mentais e orientar protocolos em saúde. A Psicologia Social e Feminista não ignora esses sistemas, mas propõe uma articulação crítica: o psicólogo utiliza os critérios diagnósticos para formular hipóteses e facilitar o diálogo com outros profissionais, sem reduzir o paciente a uma patologia. Na prática clínica, busca-se distinguir sintomas clínicos de respostas adaptativas ao estresse crônico gerado por contextos de desigualdade, mantendo o foco na singularidade da existência e na realidade concreta em que o sofrimento aparece.

Reconhecimento profissional e CFP

No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconhece e orienta a atuação pautada em Direitos Humanos e nas relações de gênero e raça. A Psicologia Social e Feminista Interseccional se insere no campo das psicologias críticas, com produção acadêmica consolidada e atuação fundamentada no Código de Ética Profissional, que exige que o psicólogo considere as relações de poder e contribua para a eliminação de discriminações. Essa base ética permite que a abordagem seja utilizada em conformidade com as normativas do CFP, inclusive em diálogo com as políticas públicas que adotam o DSM-5 e a CID-11 como referência.

Conceito clínico da Psicologia Social e Feminista

Do ponto de vista conceitual, esta abordagem entende o ser humano como um sujeito histórico e social, cuja identidade é construída na relação com o outro e com as normas da sociedade. O conceito de interseccionalidade é central: ele permite descrever como diferentes formas de opressão se cruzam, gerando vivências específicas de angústia ou exclusão. Em vez de explicações puramente biológicas ou intrapsíquicas, a abordagem busca compreender como a pessoa vivencia seus afetos e impasses diante das pressões externas. O objetivo é favorecer o desvelamento de sentidos sociais internalizados, permitindo que o paciente se aproprie de sua trajetória e amplie sua liberdade existencial.

Estilo de atendimento e indicações

O atendimento em Psicologia Social e Feminista é caracterizado por uma postura de acolhimento, validação e horizontalidade, em um ambiente estruturado para garantir a confidencialidade e a segurança do paciente. A condução das sessões privilegia a investigação de como os padrões sociais e as relações de poder impactam o bem-estar, em vez de aplicar técnicas padronizadas de ajuste ao meio. A abordagem é especialmente indicada para pessoas que atravessam crises de identidade, sobrecarga (mental e emocional), violência, conflitos de carreira ou de gênero, e sintomas de ansiedade e depressão que requerem uma escuta sensível às desigualdades sociais.

Se você está passando por uma crise suicida, ligue para o CVV. O atendimento é realizado pelo site www.cvv.org.br. ou no telefone 188, a ligação é gratuita, 24h. Em caso de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue para o SAMU no telefone 192.