Protocolo de desromantização: 15 perguntas para retomar o controle emocional

O uso da autorrevelação inversa como ferramenta de reestruturação cognitiva

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06/01/2026 às 00:57 , atualizado em 02/02/2026 às 14:25

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Como psicólogo, acompanho diariamente no consultório o peso silencioso que a idealização deposita sobre os ombros de quem ama. Muitas vezes, o que chamamos de "química" é, na verdade, um viés cognitivo que nos cega para as incompatibilidades reais. O Protocolo de Desromantização surge não como uma negação do afeto, mas como um recurso de autopreservação. Ele utiliza princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para nos devolver a visão nítida que a paixão costuma nublar.

Enquanto o estudo original de Arthur Aron (1997) visava criar conexões, esta adaptação foca no que chamamos de exame de evidências. Ao responder a estas questões, retiramos o foco do sistema límbico — centro das nossas emoções mais impulsivas — e recrutamos o córtex pré-frontal, permitindo que a razão medie o sofrimento. É um convite para olhar para os fatos, despindo o outro da "roupa de herói" que nossa carência costuma vestir.

As 15 perguntas para a desconstrução da idealização

Este exercício deve ser feito de forma escrita. O registro físico serve como um anteparo lógico para os momentos de vulnerabilidade.

Série I: Confronto com os dados da realidade

  1. Quais comportamentos específicos dessa pessoa demonstram que ela não possui a mesma escala de valores que eu?
  2. Liste três ocasiões em que as atitudes dela causaram impacto negativo direto na minha saúde mental e rotina.
  3. Se eu descrevesse essa pessoa para um estranho, atendo-me apenas aos fatos (sem adjetivos amorosos), como seria essa descrição?
  4. Quais são os defeitos de caráter que eu venho tentando "perdoar" ou justificar excessivamente?
  5. De que maneira essa pessoa me trata que eu jamais aceitaria que fizessem com um amigo querido?

Série II: Análise da funcionalidade do relacionamento

  1. Quantas vezes na última quinzena eu me senti verdadeiramente em paz e seguro nesta relação?
  2. O que eu abdiquei de mim mesmo (carreira, sonhos, lazer) para priorizar alguém que não fez o mesmo por mim?
  3. Como minha produtividade e meus objetivos de vida foram afetados desde que comecei a focar nesse vínculo?
  4. Se alguém que eu amo muito estivesse vivendo exatamente o que eu vivo, eu incentivaria essa pessoa a continuar?
  5. Qual é a característica mais incompatível dela que eu tendo a ignorar quando sinto saudade?

Série III: Reestruturação da projeção futura

  1. Eu estou apaixonado pela pessoa real que está diante de mim ou pela "versão potencial" que eu criei?
  2. Se as atitudes atuais dela nunca mudarem, como estará o meu nível de felicidade daqui a dois anos?
  3. Liste três momentos em que precisei de apoio emocional e recebi indiferença ou silêncio em troca.
  4. Qual carência ou vazio na minha própria história eu estou tentando preencher ao manter essa pessoa em um pedestal?
  5. Qual seria o meu primeiro ganho de liberdade e bem-estar ao parar de investir energia neste ciclo?

Conclusão e saúde mental

Este exercício visa converter um processo emocional passivo em uma análise racional ativa. Conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a saúde mental reside na capacidade funcional de processar a realidade. Desromantizar é, acima de tudo, um ato de honestidade consigo mesmo. É entender que o encerramento de um ciclo, embora doloroso, é o que permite a abertura para relacionamentos mais saudáveis e recíprocos.

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Encontre sua autonomia na terapia

O fim de uma idealização ou de um relacionamento é um processo de luto. De acordo com o DSM-5, quando o sofrimento impacta áreas vitais da vida, o suporte especializado não é apenas recomendado, é essencial.

Na terapia, ofereço um espaço ético e acolhedor — fundamentado nas normas do CFP — para que possamos juntos analisar esses padrões de apego e fortalecer sua autoestima. A terapia é o lugar onde transformamos a dor da perda em ferramentas de autoconhecimento. Se você sente que é o momento de recuperar sua estabilidade e olhar para o futuro com mais clareza, convido você a agendar uma sessão. Vamos trabalhar para que você recupere o protagonismo da sua própria vida.

Para que você possa começar este processo de clareza mental agora mesmo, preparei dois roteiros práticos baseados em evidências: o Protocolo de Desromantização para superação de crises, e o Guia de Arthur Aron para compreensão de vínculos. Ambos são ferramentas que aprofundamos durante as sessões de psicoterapia.

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Foto do profissional Eduardo Brancaglioni Marquetti Lazaro
Eduardo Brancaglioni Marquetti Lazaro
CRP 06/199338
Mogi das Cruzes/SP CRP verificado em 28/01/26 18:58
Possui vagas para atendimento social
Referências
ARON, Arthur et al. The Experimental Generation of Interpersonal Closeness: A Procedure and Some Preliminary Findings. Personality and Social Psychology Bulletin, vol. 23, n. 4, p. 363-377, 1997. (Referência primária sobre os mecanismos de autoexposição e vulnerabilidade).AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2023. (Base para análise de padrões de apego, funcionalidade e critérios de sofrimento clinicamente significativo).BECK, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021. (Fundamentação técnica para o exame de evidências e reestruturação cognitiva utilizada no protocolo).CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Resolução CFP nº 010/2005: Código de Ética Profissional do Psicólogo. (Norteador da conduta profissional e do convite ético à terapia).ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-11). (Diretrizes sobre bem-estar e saúde mental).SKINNER, B. F. Ciência e Comportamento Humano. 11. ed. São Paulo: Martins Fontes,Foto de Karola G: https://www.pexels.com/pt-br/foto/maos-coracao-quebrado-com-defeito-5207091/
Se você está passando por uma crise suicida, ligue para o CVV. O atendimento é realizado pelo site www.cvv.org.br. ou no telefone 188, a ligação é gratuita, 24h. Em caso de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue para o SAMU no telefone 192.