Transtornos neurocognitivos: compreensão e avaliação

Como declínios adquiridos de memória, atenção e outras funções cognitivas são investigados

Nesta página, você vai entender o que são transtornos neurocognitivos, como se diferenciam de esquecimentos comuns e qual é o papel da avaliação psicológica e neuropsicológica.

Resumo do conteúdo

Transtornos neurocognitivos são condições caracterizadas por declínio adquirido em uma ou mais funções cognitivas em relação ao funcionamento anterior, podendo envolver atenção, funções executivas, memória, linguagem, percepção ou cognição social. Nem todo esquecimento indica transtorno neurocognitivo ou doença neurodegenerativa. A avaliação considera progressão, impacto na autonomia, história clínica e fatores como sono, estado emocional, medicamentos, substâncias e possíveis causas médicas ou neurológicas.

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Transtornos neurocognitivos são condições em que ocorre declínio adquirido em uma ou mais funções cognitivas em comparação com o funcionamento anterior da pessoa. As alterações podem envolver atenção, funções executivas, aprendizagem e memória, linguagem, habilidades perceptomotoras ou cognição social.

O conceito de declínio é importante: dificuldades cognitivas presentes desde o desenvolvimento seguem outra lógica diagnóstica. Nos transtornos neurocognitivos, busca-se identificar uma mudança em relação ao nível anterior de funcionamento e avaliar quanto essa mudança interfere na autonomia e nas atividades cotidianas.

Contexto de uso

As classificações diagnósticas distinguem quadros com diferentes graus de comprometimento e possíveis causas. Alterações neurocognitivas podem estar associadas a doenças neurodegenerativas, eventos vasculares, traumatismos, infecções, uso de substâncias, outras condições médicas e diferentes processos neurológicos.

Queixas de memória ou atenção também podem ocorrer em depressão, ansiedade, privação de sono, estresse, dor, efeitos de medicamentos e outras situações que não correspondem necessariamente a um transtorno neurocognitivo.

Distinções conceituais relevantes

Transtorno neurocognitivo não é sinônimo de “demência”. O termo demência continua presente em alguns contextos, mas as classificações atuais utilizam categorias mais específicas e graduam o comprometimento conforme a repercussão sobre a independência funcional.

Também não é correto interpretar todo esquecimento como sinal de doença neurodegenerativa. Esquecimentos ocasionais podem ocorrer no envelhecimento saudável e em diferentes situações de vida. A avaliação clínica considera frequência, progressão, padrão das dificuldades e impacto funcional.

Relação com a prática psicológica

Psicólogos podem realizar avaliação psicológica e neuropsicológica para investigar o perfil cognitivo, comparar pontos fortes e dificuldades, avaliar repercussões emocionais e funcionais e contribuir para hipóteses diagnósticas dentro de suas competências. Testes não são interpretados isoladamente: devem ser integrados à história, ao contexto e a outras informações clínicas.

A investigação frequentemente é multiprofissional porque a identificação da causa de um declínio cognitivo pode exigir exame médico, exames laboratoriais, neuroimagem ou outras avaliações. A psicologia também pode participar do acompanhamento da pessoa e de familiares, da adaptação de rotinas e do planejamento de estratégias compensatórias.

Limites do conceito

Resultados baixos em um teste cognitivo não estabelecem, sozinhos, um transtorno neurocognitivo. Escolaridade, cultura, sono, estado emocional, condições sensoriais, medicamentos e outras variáveis influenciam o desempenho e precisam ser considerados.

Declínio súbito de consciência ou cognição, especialmente acompanhado de alterações físicas ou neurológicas agudas, exige avaliação médica imediata porque pode representar uma condição de urgência.

Conclusão

Transtornos neurocognitivos envolvem declínio adquirido e clinicamente relevante do funcionamento cognitivo. A avaliação adequada integra informações psicológicas, funcionais e, quando necessário, médicas e neurológicas para compreender o padrão e suas possíveis causas.

Perguntas que aparecem neste conteúdo

Perguntas frequentes

As perguntas ajudam a aprofundar a leitura, enquanto as respostas contextualizam o tema sem transformar informações gerais em diagnóstico ou orientação individual.

Transtorno neurocognitivo é o mesmo que demência?

Não exatamente. “Demência” é um termo tradicional ainda utilizado, mas as classificações atuais descrevem diferentes transtornos neurocognitivos e graus de comprometimento.

Todo esquecimento indica um transtorno?

Não. Esquecimentos podem ocorrer por diversas razões. O que importa é o padrão, a progressão, o contexto e o impacto sobre o funcionamento.

Depressão pode afetar a cognição?

Sim. Depressão, ansiedade, alterações do sono e outras condições podem prejudicar atenção, memória e velocidade de processamento, o que precisa ser considerado na avaliação.

Qual é o papel da avaliação neuropsicológica?

Ela ajuda a caracterizar o funcionamento cognitivo, identificar padrões de dificuldade e preservação e contribuir para hipóteses diagnósticas e planejamento de cuidado.

Autores e obras que dialogam com esta reflexão

  • AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. APA Dictionary of Psychology. 2. ed. Washington, DC: American Psychological Association, 2015.
  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.
  • LEZAK, Muriel Deutsch; HOWIESON, Diane B.; BIGLER, Erin D.; TRANEL, Daniel. Neuropsychological Assessment. 5. ed. Oxford: Oxford University Press, 2012.

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