Como encontrar a sua voz de volta

Dicas para lidar com pessoas narcisistas

Foto de Suzane Martins Brancaglioni, autor(a) do artigo

Por Suzane Martins Brancaglioni, CRP 06/136222

25/08/2025 às 13:54 , atualizado em 04/04/2026 às 13:08

Tempo de leitura: 3m

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Muitas vezes, o início de uma relação — seja ela afetiva, familiar ou profissional — é marcado por uma intensidade que beira o deslumbre. O carisma e o encanto inicial de certas figuras podem criar uma aura de exclusividade, fazendo com que o outro se sinta o centro das atenções. No entanto, é comum que esse cenário se transforme gradualmente em um ciclo de confusão e esgotamento emocional. O que antes parecia uma conexão profunda revela-se, com o tempo, como uma via de mão única, onde as necessidades e emoções de apenas um dos lados pautam a realidade do convívio.

Nessas dinâmicas, observa-se uma busca incessante por validação externa e um senso de grandiosidade que mascara vulnerabilidades profundas. A falta de empatia, característica central desses padrões, impede que a pessoa se conecte genuinamente com a dor ou a alegria alheia, enxergando os outros apenas como extensões de seus próprios desejos ou como fontes de suprimento para sua autoestima. Quando o foco deixa de ser a admiração incondicional, o ambiente torna-se hostil; a responsabilidade pelos erros é sistematicamente terceirizada, e o uso de distorções sutis da realidade pode fazer com que você comece a duvidar da própria percepção.

Encontrar um psicólogo online pode começar pela lista, mas a leitura do perfil ajuda a dar mais contexto antes do contato. Veja o que observar antes de falar com um psicólogo e siga pelo botão disponível quando fizer sentido conversar.

A proteção da saúde mental nesses contextos exige o fortalecimento da autonomia e o reconhecimento de que a tentativa de mudar o comportamento do outro é, frequentemente, um investimento sem retorno. O primeiro passo para o reequilíbrio é a validação da própria experiência interna. Se há um desconforto persistente ou uma sensação de que a realidade está sendo manipulada, é essencial dar crédito a esse sinal. Estabelecer limites claros não é um ato de agressividade, mas de autopreservação. Isso envolve aprender a dizer "não" de forma assertiva e retirar-se de interações que visam apenas a desvalorização ou a indução de culpa.

Redirecionar a energia de volta para si é o movimento mais estratégico que se pode fazer. Em vez de gastar recursos cognitivos tentando decifrar as intenções ou humores de quem não oferece reciprocidade, o foco deve ser o investimento em atividades e relações que reforcem o senso de valor próprio. Conexões saudáveis servem como um contraponto vital às dinâmicas de poder, lembrando-nos de que o afeto e o respeito não deveriam ser moedas de troca ou prêmios por um desempenho impecável. Priorizar o próprio bem-estar diante de padrões de manipulação não é egoísmo; é um exercício necessário de coragem e ética pessoal.

Cada psicólogo apresenta seu trabalho de um jeito próprio. Antes de seguir pelo botão de contato, entenda como fazer essa primeira leitura e observe o perfil com mais calma.

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Referências bibliográficas

Foto de Pixabay no Pexels: https://www.pexels.com/pt-br/foto/secao-inferior-do-homem-contra-o-ceu-247851/

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui o acompanhamento psicológico. Em caso de urgência, procure atendimento imediato ou ligue 188 (CVV).

Se você estiver passando por uma crise suicida, você pode entrar em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida) pelo telefone 188, com atendimento gratuito 24 horas, ou pelo site cvv.org.br. Em situações de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue para o SAMU pelo número 192.