O trabalho psicanalítico frente à ansiedade, à angústia, à morte e ao luto

Um guia para te ajudar a atravessar o sofrimento

Foto de Suzane Martins Brancaglioni, autor(a) do artigo

Por Suzane Martins Brancaglioni, CRP 06/136222

04/11/2025 às 12:12 , atualizado em 02/02/2026 às 14:25

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Como psicóloga com experiência na abordagem psicanalítica, sei que a jornada humana é constantemente marcada por um misto de prazer e dor. Entre as dores mais universais e desorganizadoras estão a ansiedade e a angústia. O olhar psicanalítico que adoto não as vê como meros sintomas a serem apagados, mas como sinais cruciais de que algo importante em nosso mundo interno precisa ser olhado e compreendido.

Eu considero fundamental a distinção entre esses dois afetos para o início de qualquer processo de alívio:

  • Ansiedade Tendemos a ligá-la a um medo de algo externo e identificável (embora muitas vezes exagerado). É a preocupação constante com o que pode acontecer no futuro.
  • Angústia Este é o afeto central. A angústia, para a psicanálise, é uma experiência que nos confronta com o nosso próprio desamparo, com a falta de garantias e de controle sobre a vida. É um sentimento que nos atinge no corpo, como uma falta de ar da alma, e que não tem um objeto claro, mas está ligado à própria condição de ser.

O nosso trabalho na sessão, que é realizado no conforto do espaço virtual, é transformar esse grito mudo da angústia em palavras e pensamentos. É um convite para você entender o que a sua história, as suas perdas passadas e os seus conflitos internos estão sinalizando através dessa aflição.

Encontrar um psicólogo online pode começar pela lista, mas a leitura do perfil ajuda a dar mais contexto antes do contato. Veja o que observar antes de falar com um psicólogo e siga pelo botão disponível quando fizer sentido conversar.

A finita condição humana — Morte e luto

Essa falta de controle, que gera angústia, se manifesta de forma mais aguda quando nos deparamos com a morte e o luto. A perda de alguém ou de algo significativo (um emprego, um papel social, um projeto de vida) nos impõe um trauma, um vazio no nosso mundo.

Como profissional da psicanálise, sei que o luto não é uma doença a ser curada, mas um trabalho psíquico inevitável. Não é um estado passivo, mas uma intensa atividade interna que exige tempo e energia. O que fazemos durante o luto é, lentamente e com muita dor, desfazer os laços que ligavam a nossa energia afetiva (libido) ao que foi perdido. O objetivo não é apagar a memória, mas encontrar uma forma de guardar a lembrança e a importância do que se foi, enquanto a vida, e a capacidade de desejar, podem continuar.

Cada psicólogo apresenta seu trabalho de um jeito próprio. Antes de seguir pelo botão de contato, entenda como fazer essa primeira leitura e observe o perfil com mais calma.

Quando esse trabalho não é realizado ou é interrompido, surge o risco da melancolia. Se no luto a dor se dirige à perda do outro, na melancolia ela se volta contra o próprio sujeito. A pessoa se identifica com o objeto perdido, sente-se culpada, inútil, como se ela própria fosse a perda. É nesse ponto que a intervenção psicanalítica se torna vital, ajudando a pessoa a se desidentificar dessa dor destrutiva e a recuperar a capacidade de se amar.

O analista, nesse processo, é o testemunho paciente. Ele oferece o tempo e o espaço para que a pessoa possa elaborar a dor sem pressão, sem a obrigação de "superar" rapidamente. É uma presença que acolhe o sofrimento em sua totalidade, permitindo que a fala transforme a angústia e o vazio em um novo sentido para a vida que segue.

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Referências bibliográficas

Freud, S. (2010). Luto e Melancolia (1917). Obras completas. (P. C. de Souza, Trad.). Companhia das Letras.Freud, S. (2014). Inibição, Sintoma e Angústia (1926). Obras completas. (P. C. de Souza, Trad.). Companhia das Letras.Lacan, J. (2005). O seminário, livro 10: A angústia (1962–1963). Jorge Zahar Editor.Foto de Karola G: https://www.pexels.com/pt-br/foto/pessoa-sentado-segurando-holding-8532801/

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui o acompanhamento psicológico. Em caso de urgência, procure atendimento imediato ou ligue 188 (CVV).

Se você estiver passando por uma crise suicida, você pode entrar em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida) pelo telefone 188, com atendimento gratuito 24 horas, ou pelo site cvv.org.br. Em situações de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue para o SAMU pelo número 192.