O que é a abordagem Construcionismo Social
O Construcionismo Social argumenta que a maneira como compreendemos o mundo e a nós mesmos é fruto de processos sociais coordenados. Para esta visão, as palavras não funcionam apenas como "etiquetas" para coisas que já existem; elas ajudam a criar as próprias experiências. Na prática clínica, o foco não é encontrar uma "doença" dentro do indivíduo, mas sim investigar os discursos e as relações em que essa pessoa está imersa e que dão significado ao seu sofrimento.
O terapeuta construcionista adota uma postura de "não saber", ou seja, ele não se coloca como o dono da verdade absoluta sobre o paciente. Em vez disso, ele colabora com o indivíduo para co-construir novas narrativas e significados que permitam uma vida com menos opressão e mais possibilidades. Este texto possui caráter informativo e não substitui o acompanhamento profissional especializado por um psicólogo com registro ativo no CRP.
Tiko
Como eu uso essa leitura sem tirar conclusões sozinho?
Teka
Use este conteúdo para organizar perguntas, perceber o que chamou sua atenção e ler com mais calma antes de qualquer decisão. Se fizer sentido conversar com alguém, veja o que observar antes de falar com um psicólogo.
A Linguagem como Geradora de Realidade
No Construcionismo, a linguagem é vista como uma forma de ação social. Quando mudamos a forma como falamos sobre um problema, mudamos a nossa relação com ele.
Os principais conceitos incluem:
- Relatividade Cultural: O que é considerado saúde ou doença depende dos acordos sociais de uma determinada época e lugar.
- Conhecimento Local: Valoriza-se o saber do paciente sobre sua própria vida em vez de apenas aplicar categorias diagnósticas universais.
- Narrativas: A vida é vista como uma história sendo escrita; a terapia é o espaço para "reescrever" capítulos que geram dor.
Alinhada ao DSM-5-TR, o construcionismo utiliza os diagnósticos como construções sociais úteis para a comunicação técnica, mas evita que o rótulo se torne a identidade total do paciente. Segundo o mhGAP da OMS, considerar o contexto social é fundamental para a eficácia de qualquer intervenção em saúde mental.
Terapia Narrativa e Colaborativa
A partir do Construcionismo Social, derivaram-se práticas como a Terapia Narrativa e a Terapia Colaborativa. Nessas modalidades, o problema é "externalizado" (visto como algo fora da pessoa) para que o paciente possa recuperar sua agência e poder de decisão.
A intervenção foca em encontrar "resultados únicos" — momentos na vida do paciente em que o problema não teve força e onde ele agiu conforme seus próprios valores, apesar das pressões sociais. Isso fortalece a autonomia e reduz o sentimento de estigma, promovendo uma saúde mental baseada na dignidade e na conexão com a comunidade.
Ética e Diálogo no Brasil
No Brasil, o Construcionismo Social é uma base forte para a psicologia social e para o trabalho com famílias e grupos, sendo regido pelo Código de Ética do CFP. O psicólogo deve estar atento para não reproduzir discursos dominantes que excluem ou marginalizam grupos minoritários. A ética construcionista exige um compromisso com a justiça social e com a criação de diálogos que incluam múltiplas vozes e perspectivas.
O diagnóstico via CID-11 é compreendido como uma ferramenta linguística de auxílio, mas a clínica foca na singularidade da experiência vivida. É uma prática que combate a "patologização" excessiva e valoriza o potencial criativo do diálogo humano. O compromisso é com a construção de realidades onde o sujeito possa exercer sua liberdade e autoria.
Indicações e o Papel do Terapeuta Construcionista
O Construcionismo Social é indicado para pessoas que se sentem presas a rótulos, que enfrentam crises de identidade, conflitos familiares ou que buscam uma terapia que leve em conta questões de gênero, raça e classe social. O terapeuta atua como um parceiro de conversa, alguém que faz perguntas reflexivas para ajudar o paciente a descobrir novos caminhos e sentidos para sua existência.
O limite da abordagem ocorre quando há uma desorganização biológica severa que impede a capacidade de diálogo. Em casos de surtos agudos ou riscos orgânicos, o psicólogo com CRP trabalha de forma interdisciplinar com a psiquiatria. A medicação pode ser necessária para estabilizar o indivíduo, permitindo que ele retorne ao espaço de diálogo e possa reconstruir sua narrativa de vida com clareza e segurança.
Perguntas que aparecem neste conteúdo
Perguntas Frequentes sobre Construcionismo Social
O Tiko faz perguntas de forma direta; a Teka organiza as respostas sem transformar informação em diagnóstico ou orientação individual.
Tiko
O Construcionismo diz que "nada é real"?
Teka
Não. Ele diz que o significado que damos às coisas é construído socialmente. Por exemplo, a dor física é real, mas a forma como você a interpreta e lida com ela depende da sua cultura e história.
Tiko
Qual a diferença entre Construtivismo e Construcionismo?
Teka
O Construtivismo (Piaget) foca em como o indivíduo constrói o conhecimento na mente dele. O Construcionismo foca em como as pessoas juntas (sociedade) constroem o que chamamos de realidade.
Tiko
O que é "externalizar o problema"?
Teka
É uma técnica onde você fala do problema como algo separado de você. Em vez de dizer "eu sou ansioso", você diz "a ansiedade tem tentado controlar meus dias". Isso ajuda a pensar em estratégias para vencer "ela".
Tiko
Esta terapia serve para tratar depressão?
Teka
Sim. Ela ajuda a entender como os discursos da sociedade (como a pressão por sucesso ou beleza) podem estar alimentando a sua tristeza, ajudando você a criar uma história de vida mais autêntica.
Tiko
Por que o terapeuta não dá diagnósticos fechados?
Teka
O terapeuta valoriza o seu jeito único de viver. Ele usa o diagnóstico como referência técnica, mas evita que você se sinta "preso" a uma etiqueta, focando no que você pode ser além dela.
Tiko
Como a linguagem muda a minha vida?
Teka
Se você mudar a forma como conta a sua história — focando nas suas superações em vez de apenas nas falhas —, o seu cérebro e as suas emoções começam a reagir de forma diferente a essa nova narrativa.
Tiko
O Construcionismo é uma abordagem política?
Teka
Sim, no sentido de que ela se preocupa com como o poder e as leis da sociedade afetam a mente das pessoas, buscando sempre a libertação de preconceitos e estigmas.
Tiko
O que é "postura de não saber"?
Teka
É quando o psicólogo deixa de lado os seus pré-conceitos para ouvir você de verdade, como se ele estivesse conhecendo um mundo novo pela primeira vez, sem tentar te encaixar em teorias prontas.
Tiko
Quanto tempo dura o tratamento?
Teka
Não há um tempo fixo. Como foca em mudanças de significado e narrativa, pode ser um processo transformador que varia conforme a complexidade da história que o paciente deseja reconstruir.
Tiko
Como encontrar um psicólogo construcionista?
Teka
Busque profissionais com formação em Terapias Narrativas, Colaborativas ou Sócio-Construcionistas, e que possuam registro ativo no CRP.
Profissionais para contato direto
Abaixo listamos alguns perfis cadastrados em nosso diretório que atuam com a abordagem do Construcionismo Social para contato direto.
Tiko
Como eu uso essa leitura sem tirar conclusões sozinho?
Teka
Use este conteúdo para organizar perguntas, perceber o que chamou sua atenção e ler com mais calma antes de qualquer decisão. Se fizer sentido conversar com alguém, veja o que observar antes de falar com um psicólogo.
Psiconsultório Cast
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No Psiconsultório Cast, Tiko e Teka conversam sobre temas de psicologia e saúde mental com linguagem simples, exemplos do dia a dia e limites claros. É um conteúdo para ajudar na compreensão, sem substituir avaliação profissional, orientação individual ou atendimento psicológico.
Tiko
Quais fontes ajudaram na construção deste conteúdo?
Teka
O conteúdo foi escrito a partir da autoria indicada na página e pode considerar referências teóricas, técnicas ou bibliográficas relacionadas ao tema.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília, DF: CFP, 2005.
GERGEN, Kenneth J. O Construcionismo Social: Um convite ao diálogo. Rio de Janeiro: Instituto Noos, 2003.
McNAMEE, Sheila; GERGEN, Kenneth J. A Terapia como Construção Social. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. mhGAP Intervention Guide. Geneva: WHO, 2010.