Construcionismo Social na psicologia

Informações sobre Construcionismo Social no contexto da psicologia.

Entenda o que Construcionismo Social pode significar no campo da psicologia, como o tema aparece em diferentes contextos e o que observar antes de procurar psicólogos online.

Foto de Suzane Martins Brancaglioni, revisor(a) do conteúdo

Revisado por Suzane Martins Brancaglioni (CRP 06/136222) em 21/03/2026

Tempo estimado de leitura: 6 min

Compartilhe este termo:

O que é a abordagem Construcionismo Social

O Construcionismo Social argumenta que a maneira como compreendemos o mundo e a nós mesmos é fruto de processos sociais coordenados. Para esta visão, as palavras não funcionam apenas como "etiquetas" para coisas que já existem; elas ajudam a criar as próprias experiências. Na prática clínica, o foco não é encontrar uma "doença" dentro do indivíduo, mas sim investigar os discursos e as relações em que essa pessoa está imersa e que dão significado ao seu sofrimento.

O terapeuta construcionista adota uma postura de "não saber", ou seja, ele não se coloca como o dono da verdade absoluta sobre o paciente. Em vez disso, ele colabora com o indivíduo para co-construir novas narrativas e significados que permitam uma vida com menos opressão e mais possibilidades. Este texto possui caráter informativo e não substitui o acompanhamento profissional especializado por um psicólogo com registro ativo no CRP.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Como eu uso essa leitura sem tirar conclusões sozinho?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Use este conteúdo para organizar perguntas, perceber o que chamou sua atenção e ler com mais calma antes de qualquer decisão. Se fizer sentido conversar com alguém, veja o que observar antes de falar com um psicólogo.

A Linguagem como Geradora de Realidade

No Construcionismo, a linguagem é vista como uma forma de ação social. Quando mudamos a forma como falamos sobre um problema, mudamos a nossa relação com ele.

Os principais conceitos incluem:

  • Relatividade Cultural: O que é considerado saúde ou doença depende dos acordos sociais de uma determinada época e lugar.
  • Conhecimento Local: Valoriza-se o saber do paciente sobre sua própria vida em vez de apenas aplicar categorias diagnósticas universais.
  • Narrativas: A vida é vista como uma história sendo escrita; a terapia é o espaço para "reescrever" capítulos que geram dor.

Alinhada ao DSM-5-TR, o construcionismo utiliza os diagnósticos como construções sociais úteis para a comunicação técnica, mas evita que o rótulo se torne a identidade total do paciente. Segundo o mhGAP da OMS, considerar o contexto social é fundamental para a eficácia de qualquer intervenção em saúde mental.

Terapia Narrativa e Colaborativa

A partir do Construcionismo Social, derivaram-se práticas como a Terapia Narrativa e a Terapia Colaborativa. Nessas modalidades, o problema é "externalizado" (visto como algo fora da pessoa) para que o paciente possa recuperar sua agência e poder de decisão.

A intervenção foca em encontrar "resultados únicos" — momentos na vida do paciente em que o problema não teve força e onde ele agiu conforme seus próprios valores, apesar das pressões sociais. Isso fortalece a autonomia e reduz o sentimento de estigma, promovendo uma saúde mental baseada na dignidade e na conexão com a comunidade.

Ética e Diálogo no Brasil

No Brasil, o Construcionismo Social é uma base forte para a psicologia social e para o trabalho com famílias e grupos, sendo regido pelo Código de Ética do CFP. O psicólogo deve estar atento para não reproduzir discursos dominantes que excluem ou marginalizam grupos minoritários. A ética construcionista exige um compromisso com a justiça social e com a criação de diálogos que incluam múltiplas vozes e perspectivas.

O diagnóstico via CID-11 é compreendido como uma ferramenta linguística de auxílio, mas a clínica foca na singularidade da experiência vivida. É uma prática que combate a "patologização" excessiva e valoriza o potencial criativo do diálogo humano. O compromisso é com a construção de realidades onde o sujeito possa exercer sua liberdade e autoria.

Indicações e o Papel do Terapeuta Construcionista

O Construcionismo Social é indicado para pessoas que se sentem presas a rótulos, que enfrentam crises de identidade, conflitos familiares ou que buscam uma terapia que leve em conta questões de gênero, raça e classe social. O terapeuta atua como um parceiro de conversa, alguém que faz perguntas reflexivas para ajudar o paciente a descobrir novos caminhos e sentidos para sua existência.

O limite da abordagem ocorre quando há uma desorganização biológica severa que impede a capacidade de diálogo. Em casos de surtos agudos ou riscos orgânicos, o psicólogo com CRP trabalha de forma interdisciplinar com a psiquiatria. A medicação pode ser necessária para estabilizar o indivíduo, permitindo que ele retorne ao espaço de diálogo e possa reconstruir sua narrativa de vida com clareza e segurança.

Perguntas que aparecem neste conteúdo

Perguntas Frequentes sobre Construcionismo Social

O Tiko faz perguntas de forma direta; a Teka organiza as respostas sem transformar informação em diagnóstico ou orientação individual.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

O Construcionismo diz que "nada é real"?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Não. Ele diz que o significado que damos às coisas é construído socialmente. Por exemplo, a dor física é real, mas a forma como você a interpreta e lida com ela depende da sua cultura e história.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Qual a diferença entre Construtivismo e Construcionismo?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

O Construtivismo (Piaget) foca em como o indivíduo constrói o conhecimento na mente dele. O Construcionismo foca em como as pessoas juntas (sociedade) constroem o que chamamos de realidade.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

O que é "externalizar o problema"?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

É uma técnica onde você fala do problema como algo separado de você. Em vez de dizer "eu sou ansioso", você diz "a ansiedade tem tentado controlar meus dias". Isso ajuda a pensar em estratégias para vencer "ela".

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Esta terapia serve para tratar depressão?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Sim. Ela ajuda a entender como os discursos da sociedade (como a pressão por sucesso ou beleza) podem estar alimentando a sua tristeza, ajudando você a criar uma história de vida mais autêntica.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Por que o terapeuta não dá diagnósticos fechados?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

O terapeuta valoriza o seu jeito único de viver. Ele usa o diagnóstico como referência técnica, mas evita que você se sinta "preso" a uma etiqueta, focando no que você pode ser além dela.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Como a linguagem muda a minha vida?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Se você mudar a forma como conta a sua história — focando nas suas superações em vez de apenas nas falhas —, o seu cérebro e as suas emoções começam a reagir de forma diferente a essa nova narrativa.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

O Construcionismo é uma abordagem política?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Sim, no sentido de que ela se preocupa com como o poder e as leis da sociedade afetam a mente das pessoas, buscando sempre a libertação de preconceitos e estigmas.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

O que é "postura de não saber"?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

É quando o psicólogo deixa de lado os seus pré-conceitos para ouvir você de verdade, como se ele estivesse conhecendo um mundo novo pela primeira vez, sem tentar te encaixar em teorias prontas.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Quanto tempo dura o tratamento?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Não há um tempo fixo. Como foca em mudanças de significado e narrativa, pode ser um processo transformador que varia conforme a complexidade da história que o paciente deseja reconstruir.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Como encontrar um psicólogo construcionista?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Busque profissionais com formação em Terapias Narrativas, Colaborativas ou Sócio-Construcionistas, e que possuam registro ativo no CRP.

Profissionais para contato direto

Abaixo listamos alguns perfis cadastrados em nosso diretório que atuam com a abordagem do Construcionismo Social para contato direto.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Como eu uso essa leitura sem tirar conclusões sozinho?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

Use este conteúdo para organizar perguntas, perceber o que chamou sua atenção e ler com mais calma antes de qualquer decisão. Se fizer sentido conversar com alguém, veja o que observar antes de falar com um psicólogo.

Psiconsultório Cast

Quer entender saúde mental de um jeito mais leve?

No Psiconsultório Cast, Tiko e Teka conversam sobre temas de psicologia e saúde mental com linguagem simples, exemplos do dia a dia e limites claros. É um conteúdo para ajudar na compreensão, sem substituir avaliação profissional, orientação individual ou atendimento psicológico.

Tiko, personagem do Psiconsultório

Tiko

Quais fontes ajudaram na construção deste conteúdo?

Teka, personagem do Psiconsultório

Teka

O conteúdo foi escrito a partir da autoria indicada na página e pode considerar referências teóricas, técnicas ou bibliográficas relacionadas ao tema.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília, DF: CFP, 2005.

GERGEN, Kenneth J. O Construcionismo Social: Um convite ao diálogo. Rio de Janeiro: Instituto Noos, 2003.

McNAMEE, Sheila; GERGEN, Kenneth J. A Terapia como Construção Social. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. mhGAP Intervention Guide. Geneva: WHO, 2010.

Próximo passo

Quer conversar com um psicólogo?

Use a leitura deste artigo para organizar dúvidas e, quando fizer sentido, veja perfis de psicólogos online para falar diretamente com o profissional.

Este conteúdo é informativo e educativo. Não substitui avaliação, diagnóstico, orientação individual ou atendimento psicológico. Em caso de crise ou risco imediato, procure atendimento de urgência ou ligue para o CVV 188.

Continue lendo

Artigos relacionados

Ver todos os artigos do blog

Nenhum outro artigo relacionado no momento.

Se você estiver passando por uma crise suicida, você pode entrar em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida) pelo telefone 188, com atendimento gratuito 24 horas, ou pelo site cvv.org.br. Em situações de emergência, procure o hospital mais próximo. Havendo risco de morte, ligue para o SAMU pelo número 192.