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Pensamentos não são verdades absolutas

A chave para a saúde mental está na sua mente

Por Eduardo Brancaglioni Marquetti Lazaro, CRP 06/199338 • Publicado em 4 de abril de 2026 • Atualizado em 31 de agosto de 2026

Tempo estimado de leitura: 3 min

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A compreensão de que a mente humana atua como um gerador constante de interpretações, e não como um espelho fiel da realidade, é um dos pilares da psicologia e da neurociência moderna. Nossos pensamentos são, em grande parte, subprodutos de "pré-programas" emocionais moldados por experiências prévias, que visam a sobrevivência, mas que frequentemente distorcem o momento presente.

A neurobiologia do pensamento e do alarme emocional

O processo de formação desses pré-programas ocorre em estruturas subcorticais profundas. A amígdala, funcionando como um sentinela de segurança, e o hipocampo, atuando como o arquivista de memórias contextuais, registram eventos de alta carga emocional (LeDoux, 1998).

Quando um estímulo presente assemelha-se a um trauma ou susto do passado — como o exemplo de um cão que dispara um gatilho de medo —, o cérebro utiliza um "atalho" neural. Essa via rápida ignora o córtex pré-frontal (a área do raciocínio lógico) e aciona uma resposta emocional imediata. O pensamento resultante ("este animal é perigoso") não é uma análise da realidade atual, mas um eco biológico de uma proteção instalada anteriormente (Damasio, 1996; LeDoux, 2015).

Distorções cognitivas e a perspectiva da TCC

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), fundamentada pelos trabalhos de Aaron T. Beck e Judith S. Beck, postula que o sofrimento psicológico não deriva dos fatos em si, mas da forma como os processamos. Muitos desses pensamentos automáticos são, na verdade, distorções cognitivas — erros sistemáticos de lógica influenciados por nossos pré-programas emocionais.

Na depressão, por exemplo, esses esquemas mentais tornam-se rígidos, levando o indivíduo a interpretar eventos neutros de forma negativa (Beck; Alford, 2011). Essa visão converge com perspectivas filosóficas ancestrais, como as de Buda e as reflexões de Nietzsche, que sugerem que a nossa percepção é a mediadora soberana da nossa dor ou do nosso bem-estar.

A observação consciente e o Mindfulness

Para romper o ciclo de reatividade a esses pré-programas, a prática do Mindfulness (Kabat-Zinn) oferece uma estratégia de descentramento. Em vez de lutar contra o pensamento ou aceitá-lo como verdade absoluta, o indivíduo aprende a observá-lo como um evento mental passageiro.

Ao reconhecer que o pensamento é apenas uma manifestação de uma rede neural ativada por memórias antigas, perdemos a necessidade de agir impulsivamente sobre ele. Essa diferenciação entre "o que eu penso" e "o que é real" permite reduzir o impacto emocional das vozes do passado, possibilitando uma conexão mais autêntica e livre com a realidade presente (Damasio, 2000). A saúde mental, portanto, floresce na habilidade de questionar as próprias certezas internas em favor da evidência do agora.

Autores e obras que dialogam com esta reflexão

  • BECK, Aaron T.; ALFORD, Brad A. Depressão: Causas e tratamento. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
  • BECK, Judith S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.
  • DAMASIO, António. O Erro de Descartes: Emoção, razão e o cérebro humano. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
  • DAMASIO, António. O Sentimento de Si: O Corpo de Emoção, e a formação da consciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
  • DOUGHERTY, Elizabeth; JENNINGS, Charles. O que são os pensamentos? MIT School of Engineering, 26 abr. 2011. Disponível em: [Inserir URL, se disponível]. Acesso em: [dia] mês [ano].
  • ESPERIDIÃO-ANTONIO, V. et al. Neurobiologia das emoções. Revista de Psiquiatria Clínica, São Paulo, vol. 35, n. 2, p. 55-65, 2008.
  • KABAT-Zinn, Jon. Atitudes de Atenção Plena. [S. l.: s. n., s.d.].
  • LEDOUX, Joseph E. O Cérebro da Ansiedade: A neurociência nos ajuda a superar o medo e a ansiedade. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
  • LEDOUX, Joseph E. O Cérebro Emocional: Os Misteriosos alicerces da vida emocional. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.
  • SEEKER TO SEEKER. Nietzsche & Buddha's Lessons On Suffering. 1 abr. 2024. Disponível em: [Inserir URL, se disponível]. Acesso em: [dia] mês [ano].
  • SIEGEL, Ronald D. A Solução Mindfulness: Práticas Diárias de Atenção Plena Para Problemas Cotidianos. [S. l.: s. n., s.d.].
  • WRIGHT, Jesse H.; BASCO, Monica R.; THASE, Michael E. Aprendendo a terapia cognitivo-comportamental: um guia ilustrado. Porto Alegre: Artmed, 2008.

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